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Reportagem feita pela Revista 7 Dias com Você - Editora Escala - Nº60 - Julho/2004 com o Diretor do site Farmacêutico Virtual - Dr.Ricardo Bordinhão |
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Sua mãe está com uma grave doença e você, provavelmente, irá fazer de tudo para que ela melhore, inclusive, comprando aquele pote lotado de ervas que o ambulante garante curá-la. Assim pensam muitas pessoas que, desejando intensamente melhorar de alguma enfermidade, não medem conseqüências na hora de tomar remédios. Pois então fique atenta a essa afirmação: “ O mercado informal de plantas medicinais – aquelas barraquinhas de mercado que vendem ervas em estado natural ou engarrafadas – é perigosíssimo, pois elas são cultivadas e processadas fora dos padrões técnicos exigidos pelo Ministério da Saúde”, alerta Ricardo Bordinhão dos Santos, farmacêutico da Casa de Saúde São José – RJ. Assustou-se? Então não deixe de ler as linhas a seguir. Diferenças Antes de qualquer coisa é preciso entender quais são as diferenças entre os remédios que você consome para tratar uma doença. Então vamos lá! “Fitoterápico é formado por duas palavras de origem grega: fito, que quer dizer planta, e terapia, que significa medicação. Portanto, é derivado de plantas reconhecidas por sua eficácia e usadas há milhares de ano no tratamento de determinadas patologias, Já os remédios naturais são quaisquer substâncias retiradas na sua forma bruta da natureza, praticamente sem purificação alguma e utilizadas como medicamentos. Embora sejam quase sinônimos, os primeiros são produtos cuja ação já foi comprovada cientificamente, enquanto o conhecimento das propriedades medicamentosas do segundo deriva da sabedoria”, explica Ricardo. Há também os produtos farmacêuticos, conhecidos como sintéticos, que não se encontram na natureza ou no organismo humano. Tratamento médico natural Não é de hoje essa busca incessante pela saúde. “Muitos dos ensinamentos antigos estão na moda. Como neta de um naturalista, acredito no poder de cura de algumas plantas. Os fitoterápicos vêm sendo utilizados por vários povos e culturas desde a Antiguidade. Agora no século XXI, as plantas medicinais estão tendo seu valor terapêutico confirmado pela ciência e os médicos demonstrando mais interesse”, opina Maria Amélia Ramos, médica naturalista. Gigante pela própria natureza O Brasil é um dos países com a maior diversidade genética vegetal do mundo. “Possuímos mais de 55 mil espécies catalogadas de um total estimado entre 350 mil a 500 mil. Cabe a nós, brasileiros, permitir que essa rica cultura tradicional, somada à nossa imensa biodiversidade, seja o alicerce de uma alternativa no atendimento à saúde do povo”, vibra Loana Johansson, integrante do conselho diretivo da Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico e de Produtos para a Promoção da Saúde (ABIFITO). Maria Amélia completa dizendo que o povo acredita mais na eficácia dos fitoterápicos e aposta neles como um complemento na cura.
Área médica Devido à falta de estudos que comprovem a eficácia da maioria desses remédios, existe bastante preconceito na classe médica. Muitos resistem em adotar terapias alternativas. “Acredito que a tendência é a consagração da medicina holística, que é a harmonia entre todas as medicinas: florais, acupuntura, alopatias, homeopatia. Ela abrange por completo as áreas que buscam a cura de uma doença”, acredita a médica.
Regulamentação Segundo Loana, existe ainda muita informalidade no setor e até mesmo despreparo em relação a essa emergente indústria. “A regulamentação de fitoterápicos no Brasil existe desde 1967 e está atualmente na quarta versão. Esse conjunto de regras estabelece como e sob quais condições esse medicamento pode obter o registro, indispensável para a sua comercialização. As solicitações devem mostrar, por meio de resultados publicados na literatura científica, ou fruto de pesquisa própria, a segurança de uso e a eficácia terapêutica dos produtos. Como qualquer remédio, só pode ser comercializado em drogarias, e , dependendo da indicação terapêutica, é vendido com ou sem prescrição médica, em nada se diferenciando dos demais medicamentos”, esclarece Edmundo Machado Netto, químico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Ganhando espaço É evidente o crescimento desse mercado. O número de adeptos às curas naturais é cada vez maior. Seguindo essa lógica, será que daqui a algum tempo, a alopatia (medicina tradicional) será substituída pela fitoterapia? Para a médica naturalista, não. “Nenhuma ciência pode crescer se não for complementada por outra. A alopatia está muito avançada em vários aspectos, principalmente, no diagnóstico da doença e na união de diversas especialidades para a cura. Para algumas enfermidades, somente ela resolve”, completa. Seja responsável Existem problemas sérios e potencialmente fatais na maneira como as plantas medicinais são cultivadas, colhidas, processadas, armazenadas e enviadas. “Deve-se recomendar cautela a respeito de alegações da eficácia de remédios caseiros e baseados em plantas. O fator diferenciador deve ser sempre a existência de evidências científicas incontestáveis, obtidas por intermédio da metodologia da mais alta qualidade”, alerta o farmacêutico. Nem tudo que é natural é saudável. O ‘curare’ e a ‘estrincnina’, dois venenos fortíssimos utilizados pelos índios para envenenar a ponta das flechas, também provêm de plantas. Pratique “Tô vendendo ervas que aliviam e acalmam. To vendendo ervas, quem quiser pode chegar...”. O grupo Rappa conseguiu passar direitinho em sua música o que acontece nos quatro cantos do Brasil. Oferta e tentação é o que não falta, mas antes de agir com impulsividade, lembre-se das informações que leu nessa matéria e seja saudável com responsabilidade.
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