ANTIBIÓTICOS

 

Medicamentos que revolucionaram a história da medicina, protegendo o homem do ataque de bactérias antes mortais, os antibióticos são hoje um instrumento indispensável na guerra mundial contra as doenças infecciosas bacterianas. Mas infectologistas do mundo todo estão cada vez mais preocupados com o uso inadequado dessas substâncias, a partir da automedicação ou do desconhecimento sobre o mecanismo de ação dos antibióticos, cuja pior conseqüência é a criação das chamadas superbactérias, microorganismos para os quais dificilmente existe cura. Uma associação internacional que visa alertar os médicos e a população em geral para os problemas decorrentes do mau uso dos antibióticos, a Aliança para o Uso Prudente de Antibióticos, tem agora uma regional no Brasil. De tempos em tempos, dá-se o alerta: identificou-se no hospital y, na maternidade x ou em determinada comunidade uma cepa de bactérias que resiste a qualquer dos antibióticos conhecidos. Normalmente eliminadas por uma das oito classes de antibióticos conhecidas, bactérias até então comuns tornam-se imbatíveis, praticamente imortais. E doenças que eram debeladas com o tratamento adequado transformam-se em moléstias fatais. "Em situações de multirresistência microbiana, é o como se voltássemos à era pré-antibiótica, quando os médicos não podiam intervir na evolução natural de uma infecção. 
 

A resistência bacteriana é responsável por um importante aumento na morbidade e na mortalidade das doenças infecciosas e mesmo de outros tipos de patologias que evoluem com um quadro infeccioso. A resistência bacteriana é responsável também por um grande aumento nos custos diretos e indiretos envolvidos no tratamento das infecções - que se tornam mais severas e prolongadas, aumentando assim o tempo de internação e o afastamento do paciente de suas atividades. Uma das bactérias que acabaram se tornando monstruosas por causa do uso repetidamente inadequado de antibiótico é justamente a da tuberculose, a Mycobacter tuberculosis, que se transmite de pessoa. Isso explica os recentes picos de incidência da moléstia em países onde ela parecia ter sido controlada, como o Brasil e até os Estados Unidos.
 

Em geral, um paciente tuberculoso precisa tomar os antibóticos indicados por um período médio de seis meses, ininterruptamente. Como os remédios não são isentos de efeitos colaterais e os sintomas desaparecem muito antes do prazo de tratamento, boa parte dos pacientes deixam de tomar os antibióticos por sua conta e risco. O resultado? " O objetivo do tratamento antibiótico não é eliminar os sintomas, mas as bactérias. Se o tratamento é interrompido antes do prazo, as bactérias que ainda estão vivas, que são justamente as mais fortes, estão prontas para um novo ataque". Essa observação é uma espécie de regra número um de um guia prático para a correta tomada de antibióticos que a Apua pretende divulgar.

 

COMO TOMAR. POR QUE TOMAR


Com as bactérias cada vez mais resistentes e o próprio progresso da farmacologia, há mais bactérias e mais antibióticos, os de última geração sintetizados por engenharia genética - e nem sempre há a correspondência óbvia entre eles. Por causa da crescente resistência, drogas antes muito eficientes contra determinada cepa de bactérias deixam de fazer o efeito desejado. Então surgem novas famílias de antibióticos - mas as bactérias também se "aperfeiçoam". Para Ter certeza sobre a eficácia de cada antibiótico contra determinadas infecções, é preciso conhecer o perfil de resistência bacteriana em cada região - isso exige constante atualização. Com base nessas observações, é possível estabelecer algumas regras de outro para tratamento com antibióticos, que podem ser úteis para quem prescreve, quem dispensa e quem toma:
-Antibióticos são drogas que visam exclusivamente combater bactérias - não vírus, fungos ou outros microorganismos.
-Talvez o erro mais grosseiro seja tomar antibióticos nos casos de infecção não bacteriana - como a maior parte das infecções de garganta, gripes ou diarréias. Os antibióticos, aliás, são francamente contra-indicados nas diarréias.
-O segundo erro, já mencionado, é interromper o tratamento antes do prazo de prescrição.
-Não há uma regra para a tomada dos antibióticos. Alguns devem ser tomados em jejum, outros às refeições. Tetraciclinas, por exemplo, não devem ser ingeridas com leite. Mais uma razão para se condenar a automedicação de antibióticos.


 


Fonte: Revista ABCFARMA n. 118 - 05/2001